dor de cabeça

ENXAQUECA

Características

 

  • Cefaleia incapacitante mais comum. 

  • Não possui causa conhecida, mas supõe-se que exista algum componente genético.

  • Os indivíduos com enxaqueca possuem um córtex hiperexcitável, o que pode justificar as auras e as comorbidades psiquiátricas associadas como depressão, mania ou ansiedade. A dor está relacionada com a sensibilização das terminações nervosas.

 

Tipos de Enxaqueca

 

  • Enxaqueca sem aura – Tipo mais comum representando 80% dos casos. Caracterizada por dor unilateral, pulsátil, que pode ser agravada pela atividade física. As crises têm duração de 4 a 72 horas e podem estar associadas a náuseas ou vômitos, fotofobia ou fonofobia.

 

  • Enxaqueca com aura – Representa 20% dos casos. Possui as mesmas características da enxaqueca sem aura mas as crises são precedidas por sintomas visuais (luzes, perda visual) ou sensitivos (formigamento, dormência).

 

Subtipos de Enxaqueca

 

  • Acefalálgica – Paciente com as auras típicas da enxaqueca sem cefaleia subsequente.

 

  • Basilar – Auras caracterizadas por disartria, vertigem, diplopia e alteração de consciência.

 

  • Crônica – Enxaqueca sem aura por 50% do tempo durante 30 dias por mais de 3 meses.

 

  • Hemiplégica – Aura caracterizada por hemiplegia transitória.

 

  • Status enxaquecoso – Crises incapacitantes por mais de 72 horas.

 

Diagnóstico

 

     Normalmente, o exame clinico normal associado a típica dor de cabeça são suficientes para se firmar diagnóstico. Exames de imagem complementares são comumente solicitados para se descartar uma cefaleia secundária.

 

Tratamento

 

Crises agudas

  • Anti Inflamatórios não Esteróides (AINES) – Ibuprofeno (400-600mg) ou acetaminofeno (1.000mg). Se não resolver deve-se prescrever outra classe de medicamentos.

  • Triptanos – Via oral (Sumatriptano 50-100mg, naratriptano 5mg, eletriptano 40-80mg), via spray nasal (sumatriptano 10-20mg ou zolmitriptano 5mg) ou sub cutâneo (sumatriptano 6mg). São contraindicados em doença arterial coronariana. Um mesmo paciente pode responder de forma variada a diferentes triptanos. Desse modo, a terapia com essa classe deverá ser individualizada.

  • Ergots – Alternativa ou para ser usados de forma concomitante aos triptanos por serem menos efetivos.

  • Agonista Seletivo do Receptor 1F da Serotonina – Lasmiditano 50-100mg. Alternativa para quem tem contra-indicação aos triptanos. Eficácia comprovada pelo estudo CENTURION (4).

 

Crises prolongadas

  • Ácido valpróico – Correr 1.000mg em 50 ml de SF em 5 minutos.

  • Dexametasona 10mg EV.

 

Tratamento Preventivo  

      Indicado quando o paciente apresenta mais de 2 a 3 crises semanais.

  • Antidepressivos tricíclicos – Amitriptilina, nortriptilina ou doxepina. Úteis quando há depressão associada.

  • Inibidores seletivos da receptação de serotonina 

  • Betabloqueadores – Propranolol, nadolol, atenolol. Preferir em pacientes hipertensos.

  • Anti- convulsivos – Ácido valpróico, topiramato, gabapentina ou levetiracetam. São segunda linha de tratamento.

  • Galcanezumabe – Anticorpo monoclonal que tem apresentado bons resultados no controle álgico. O estudo EVOLVE-1  e EVOLVE-2 com injeções mensais de 120 a 240 mg mostrou redução nas crises (1,  2, 3).

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